Prezados Colegas de profissão. Quando o assunto é FMS fica inevitável não salientar a maestria do professor @rogercruzpro e de sua empresa @mwoveeducation em prestar e lecionar uma certificação internacional em nosso país. Após este recado, é importante sabermos sobre a relação do FMS com a corrida de rua, assim como outros desportos.

Como triatleta, preparador físico e treinador de corrida vejo o mercado da corrida de rua aumentar consideravelmente durante os anos, devido a sua simplicidade em praticá-la, além dos seus benefícios físicos, como a melhora no sistema cardiorrespiratório, melhora na eficiência do metabolismo, redução do peso corporal, aumento da tonificação muscular e etc. Ela também contribui para o combate a depressão, melhora no sistema neurológico e aumento do que podemos chamar de “saúde social” do indivíduo que participar de algum grupo de corrida. É necessário nos atentarmos também aos “perigos” que essa modalidade, se praticada de forma errada ou sem acompanhamento, pode causar, e para isso é crucial nossa qualificação constante para prescrever o treinamento do aluno/atleta com eficiência, minimizando os riscos. A metodologia pode variar conforme o profissional, havendo uma série de testes específicos como teste de Cooper, teste de VAM, teste de UMTT, entre outros. Paralelo a isso entramos em uma esfera de protocolos, exercícios e testes qualitativos que irão complementar a avaliação para o seu aluno, buscando levá-lo à sua melhor performance e condição física elevando assim o nível do nosso serviço e de nossos resultados.

Fica cada vez mais lúcida a importância e a influência de ter uma boa mobilidade, estabilidade e controle motor para a corrida. Duas capacidades muito exigidas: a estabilidade e a mobilidade, não podem ser confundidas; resumidamente estabilidade (dinâmica ou estática) é a capacidade de manter a postura correta e ter domínio da execução durante o movimento e mobilidade é a combinação de flexibilidade muscular e amplitude articular durante o movimento. Estas capacidades podem ser “avaliadas” e “treinadas” a partir do FMS, que é uma ferramenta que permite avaliar a qualidade dos movimentos funcionais por meio de 7 testes e tem como objetivo identificar iminentes compensações, risco de lesões e capacidades motoras. Não obstante, esta triagem funcional visa harmonizar o corpo nos padrões de movimentos funcionais e corrigir possíveis assimetrias, que, por exemplo, na corrida podem ser observadas a partir de encurtamentos na passada, alguma compensação muscular, ou “desequilíbrio” corporal (oscilação vertical).

É muito relevante uma resposta funcional “instantânea” do seu aluno para assim ter um parâmetro de treinamento, seja ele de reprogramação do movimento ou propriamente o treino de força. A partir da avaliação do FMS, o treinador encontrará um propósito para o seu cliente, assim ele poderá incluir na sua metodologia correções que objetivam a evolução do seu aluno/paciente. Por exemplo, um corredor que apresenta disfunções no quadril tem maior probabilidade de ter uma acentuada oscilação vertical e/ou encurtamento de passada, gerando compensação em algum membro. É nesta etapa que os testes se tornam cruciais para ambos, pois com a elucidação desta disfunção por meio dos testes, e com a aplicação de exercícios corretivos, logo o aluno começa a gozar dos inúmeros benefícios desta triagem funcional de movimentos.

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A exemplo disso temos a estimulação do “core” (estabilidade), que busca estimular a musculatura profunda do tronco visando um equilíbrio postural, fazendo o aluno ter uma menor oscilação vertical, e propiciar ao aluno um maior aproveitamento da biomecânica da passada na corrida, gerando maior economia de energia cinética. A avaliação do FMS analisa sobre a ótica do desenvolvimento motor humano, ou seja, nascemos e fomos criados com diversas vivências psicomotoras e proprioceptivas, ou a falta destas, as quais acarretam um determinado padrão de movimento. É muito delicado dizer, principalmente na corrida, para um atleta que ele não tem a técnica correta ou uma biomecânica adequada; que será preciso reprogramar seus movimentos. Pense comigo: um atleta que corre sem nenhuma instrução, uma prova de 5km com um tempo de 17’30”, com pace de 3’30”, terá que se readaptar à forma “correta” para conquistar uma melhora do seu tempo. Isto demandará sessões de treinamento, exercícios de mobilidade, de estabilidade, de força, técnica (exercícios educativos) e paciência, onde neste processo provavelmente irão aparecer alguns desconfortos musculoesqueléticos, pois irá ocorrer uma readaptação da musculatura coerente com a técnica mais apropriada, a qual não era “demandada” correndo da maneira menos apropriada. Cabe ao treinador explicar e demonstrar, através de resultados, esta melhoria que decorre do FMS. Neste caso, existe UM PROPÓSITO a ser elaborado, e como Michael Boyle nos traz em seu livro sobre os avanços do treinamento funcional, o que faz um treino ser funcional é o seu propósito! O que está em análise é a funcionalidade de um corredor, no qual ele está em um esporte de desequilíbrio e deve, com muito treino funcional (estabilidade de core, mobilidade de tornozelo, de quadril, técnica de respiração etc.), amenizar maximamente este desequilíbrio.

Por fim, a praticidade, facilidade, e capacidade desta triagem em avaliar os padrões de movimentos e identificar as limitações de movimento do avaliado faz com que o FMS seja um modelo a ser seguido, e os elogios a esta ferramenta bem como os benefícios que ela nos traz são infinitos. Ora, qual triagem poderia fornecer informações como análise qualitativa de movimento, risco de lesão, assimetrias e compensações? E o mais incrível disso tudo é que o FMS pode ser aplicado a atletas de alto rendimento, iniciantes, atletas lesionados, crianças e idosos, pois se baseia nos padrões de movimento humano.

 

Damian Souza - Atleta e Profissional de Educação Física, Expert em FMS - Porto Alegre/RS

@damiansouza