Hoje vamos falar de pesquisas científicas:

Seu trabalho é baseado em evidências científicas? Trabalhando há algum tempo com o FMS no Brasil, ensinando, aplicando e estudando bastante o assunto percebemos o quanto a mudança na maneira de prescrever exercícios tem melhorado a qualidade de vida daqueles que praticam, partindo da premissa de uma análise de padrões básicos de movimento antes de aplicar sobrecarga. As pesquisas científicas, relativamente pequenas em números como qualquer recente método, apontam para um futuro onde a relação do movimento com a prescrição de exercícios será cada vez maior.

No site functionalmovement.com tem um texto que gosto muito, escrito pelo Dr. Robert J. Butler, do departamento de cirurgia ortopédica do “Duke University Medical Center” na Carolina do Norte, autor de mais de 100 artigos relacionados ao movimento humano e ao FMS nas mais diversas revistas científicas do mundo. Este texto está embasado com 25 artigos científicos expostos ao final. Tentarei fazer uma tradução livre e resumida e trazer algumas abordagens interessantes para quem se interessa por esse assunto. Boa Leitura!

O FMS foi desenvolvido em sua forma atual há mais de uma década e ganhou adesão na comunidade de fitness como forma de monitorar e desenvolver eficientemente um programa de exercícios corretivos para melhorar os padrões de movimento. Como a ferramenta ganhou popularidade em termos clínicos, pesquisas começaram a ser conduzidas para dar suporte à ferramenta. Uma pesquisa atual sobre o FMS sugere que a triagem é uma maneira confiável de medir objetivamente os padrões de movimento que são modificáveis ??e para indicar uma elevada incidência que causa lesões musculoesqueléticas.

A confiabilidade do FMS foi estabelecida intra e inter-avaliadores examinando a triagem de 21 pontos (Minick et al., 2010; Frohm et al., 2011; Onate et Al., 2012; Teyhen et al., 2012; Gribble et al., in press; Smith et al., in press) e um estudo de 2012 utilizando uma pontuação total de 100 pontos (Butler et al., 2012). Esses estudos revelaram alta confiabilidade entre avaliadores capacitados com o FMS mesmo com treinamento mínimo de 4 horas. 

Valores normativos para o FMS foram estabelecidos em populações adultas ativas (Schnieders et al., 2011, Bhk et al., in press). 

Os resultados dos testes tendem a sofrer variações negativas na pontuação quando fatores como idade elevada, IMC e sedentarismo estão associados. Não há observação importante entre homens e mulheres (Bhk et al., 2012; Duncan et al., 2012). O IMC e o sedentarismo foram relevantes em crianças de idade escolar. No entanto, o IMC foi o mais dominante dos fatores.

Três estudos utilizaram estatísticas para estabelecer o escore de “menor ou igual a 14” (<= 14) como apropriado para identificar indivíduos que têm maior probabilidade de sofrer uma lesão (Kiesel et al., 2007, O'Connor et al., 2011, Butler et al., in press). O risco relativo nesses estudos variou entre 2,3-8.3 em jogadores de futebol profissional, treinamento básico de militares e bombeiros em treinamento. Todos esses estudos utilizaram o ponto de corte <= 14 (Kiesel et al., 2007, O'Conner et al., 2011, Butler et al., in press). Além disso, um estudo de pesquisa validou que a presença de assimetrias no FMS está associada a um risco maior de lesão em jogadores de futebol profissional (Kiesel et al., in review). 

Pesquisas futuras são necessárias com grandes amostras em populações adicionais para entender quais fatores da triagem são relevantes para identificar Indivíduos com risco elevado de lesão, além de entender como testes adicionais como o “Y Balance Test” ajudam na identificação de atletas com risco elevado de lesão.

Embora estabelecer a relevância clínica da triagem seja importante, de nada adiantaria se seus resultados não pudessem sofrer alterações.

Três estudos relataram que os resultados na triagem podem ser melhorados com um programa de treinamento de 6 semanas (Goss et al., 2009, Cowen et al., 2010, Kiesel et al., 2010). 

Um estudo (Frost et al., 2011) relatou que os resultados dos testes de FMS não mudaram em um programa de doze semanas em bombeiros quando comparado com um grupo controle (também de bombeiros). Diferenças nesse resultado podem estar relacionadas a detalhes das intervenções. Sendo assim, é provável que nem todo programa de exercícios corretivos, programas de treinamento de força e de condicionamento podem resultar em uma alteração positiva nos resultados do FMS.

Pesquisas sobre vários modelos de treinamento sugerem que uma atenção individualizada na forma correta de prescrever e executar o movimento com jogadores de basquete juvenil pode levar a melhores resultados no FMS através de um programa de treinamento padronizado (Klusemann et al., in press).

Muitas vezes, é perguntado como o desempenho no teste do FMS está relacionado com performance. Até agora, estudos múltiplos têm relacionado os valores do FMS mensurando a estabilidade do tronco e performance (Okada et al., 2010, McGill et al., in press, Clifton et al., in press).

A principal mensagem para levar para casa através destes estudos é que não há um único ponto da performance diretamente relacionado com os resultados do FMS. Será interessante observar como os resultados do FMS estão relacionados a carga de treinamento fisiológico para examinar um fator potencial relacionado à durabilidade da performance. 

Com amostras maiores, também será possível examinar adequadamente a relação das pontuações em cada um dos testes para ver como essas pontuações independentes também podem estar relacionadas à performance.

Finalmente, um estudo avaliou o teste do agachamento profundo do FMS usando técnicas de análise de movimento (Butler et al., 2010). Observou-se que os indivíduos que obtiveram nota 3 no teste tiveram uma maior flexão do joelho e um torque maior na extensão do joelho que os indivíduos que obtiveram uma nota 2 ou 1. No quadril, observou-se que os indivíduos que obtiveram nota 3 tiveram uma maior flexão do quadril e produziram maior torque na extensão do quadril do que os indivíduos que obtiveram nota 1. Novas pesquisas com estudos biomecânicos serão úteis para identificar como as limitações de movimentos em testes específicos do FMS se relacionam com diferenças biomecânicas em testes funcionais mais complexos que requerem uma maior quantidade de trabalho e potência como, por exemplo, saltar e correr.

Em resumo, o FMS é uma ferramenta confiável que pode ser usada para identificar Indivíduos com maior probabilidade de se machucar. Observou-se também que a melhoria no resultado total do FMS pode ocorrer através de alguns programas de treinamento específicos relacionados ao movimento. Pesquisas futuras poderão identificar se a utilização da triagem como uma linha de base para o movimento em uma configuração de reabilitação pode afastar o fator de risco primário da lesão anterior prevendo lesões subsequentes. Estas pesquisas também devem expandir-se por trás da reabilitação e espero alcançar sua utilização durante os testes de pré-temporada para identificar atletas com dor ou limitações de movimento antes da performance atlética começar.

 

REFERENCES

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O artigo original está no endereço https://www.functionalmovement.com/articles/research/2012-09-05_fms_summary_of_literature_reviews